Análise da acessibilidade geográfica às Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Teresina, Piauí: uma rotina computacional aberta e reprodutível para o diagnóstico multimodal de iniquidades territoriais em saúde
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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí
Resumo
A Atenção Primária à Saúde constitui a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), pressupondo a acessibilidade geográfica das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Contudo, métodos tradicionais como o Two-Step Floating Catchment Area (2SFCA) apoiam-se em simplificações espaciais que distorcem o diagnóstico, especialmente ao representar a demanda populacional unicamente pelo centroide do setor censitário. Diante disso, esta pesquisa objetivou construir uma rotina computacional aberta e reprodutível em Python para aplicar o método Areal Enhanced Two-Step Floating Catchment Area (AE2SFCA) no diagnóstico das desigualdades de acesso às UBS na zona urbana de Teresina-PI. Metodologicamente, a malha viária extraída do Overture Maps teve lacunas de classificação preenchidas por uma Rede Neural em Grafos. A rede foi convertida em impedâncias de tempo, incorporando fator de fricção urbana e gerando isócronas multimodais de 10, 20 e 30 minutos. O índice AE2SFCA foi calculado a partir de 81 UBS e 474 equipes de saúde, sendo confrontado com o modelo tradicional e com a renda mediana domiciliar por correlação de Spearman e análise espacial bivariada (LISA). Os resultados apontaram uma oferta agregada confortável (5,87 equipes por 10 mil habitantes), porém altamente desigual no espaço. Enquanto a cobertura de 30 minutos alcançou 98,5% da área urbana por automóvel, o alcance pedestre limitou-se a 69,5%. No cenário veicular, a acessibilidade associou-se positivamente à renda (\rho\ =\ +0,438), concentrando agrupamentos críticos de exclusão na periferia, ao passo que a pé a associação inverteu-se (\rho=\ -0,199), confirmando a hipótese socioterritorial (H_1). Do ponto de vista metodológico, o modelo areal provou-se equivalente ao tradicional no modo motorizado (\rho\ =\ 0,991), mas corrigiu o diagnóstico equivocado de 64 falsos desertos de saúde no modo pedestre, confirmando a hipótese metodológica (H_2). Conclui-se que a pesquisa cumpre seu duplo propósito ao diagnosticar que a iniquidade de acesso em Teresina é ditada pela dependência do automóvel e fornecer um instrumento aberto, auditável e replicável para o planejamento territorial da saúde pública municipal.
Description
Keywords
Acessibilidade geográfica, Atenção Primária à Saúde, Método AE2SFCA, Desigualdade socioespacial, Análise espacial
Citation
DANTAS, Felipe Ramos. Análise da acessibilidade geográfica às Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Teresina, Piauí : uma rotina computacional aberta e reprodutível para o diagnóstico multimodal de iniquidades territoriais em saúde. Orientador: Antonio Joaquim da Silva. 2026. 112 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Análise e Planejamento Espacial) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí, Campus Teresina Central, 2026.