Percepção de uma comunidade quilombola sobre plantas medicinais e o uso da Mentha x villosa Huds. em Queimada Nova, Piauí
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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí
Resumo
O uso popular de plantas medicinais é uma das manifestações artísticas que acompanham o ser humano desde os primórdios da civilização, sendo fundamentada no acúmulo de informações repassadas oralmente por meio de sucessivas gerações. Nesse contexto, objetivou-se com o presente estudo reconhecer os saberes inerentes as plantas medicinais, com ênfase na Mentha x villosa Huds., pela comunidade quilombola Sumidouro, no município de Queimada Nova, Piauí. A amostragem foi delimitada por meio de abordagem não-probabilística e seguiu o procedimento de entrevistas em residências. Ao todo, 20 pessoas foram entrevistadas, onde 70% eram mulheres. Os formulários continham questões semiestruturadas sobre a frequência de consumo, utilização, obtenção de conhecimento, procedência, indicação de uso e doações de plantas medicinais; além de doenças ou sintomas tratados por Mentha x villosa Huds. e os modos de como utilizá-la. A análise de dados revelou um consumo frequente de espécies por mulheres jovens e mães de família, sinalizando maior interesse pelo autocuidado e saúde. Além disso, as plantas medicinais são utilizadas para combater enfermidades dentro da comunidade; e o ensino das práticas de uso resultam do conhecimento intergeracional. Foi constatado o cultivo da Mentha x villosa Huds. em quintais domésticos e o uso das folhas para combater a gripe, problemas de estômago, dores de cabeça e febre; através de chás, xaropes e lambedores. Esse relacionamento ser humano-planta reflete a manutenção dos saberes tradicionais, ligando-se com a conservação da biodiversidade local e o fortalecimento da identidade cultural e autonomia das comunidades quilombolas.
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Etnobiologia, Etnobotânica, Saberes locais