GEOGRAFIA ELEITORAL DE OEIRAS (PI): historicidade e espacialidade das votações de 2000 a 2024
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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí
Resumo
A Geografia eleitoral pode ser definida como o campo que busca a interação entre
processos eleitorais e espaço geográfico, o que o permite compreender como a
organização espacial pode interferir nas decisões do eleitorado e de que forma os
candidatos trabalham o espaço para induzirem resultados nas eleições. Nessa
direção, objetiva-se analisar a historicidade das eleições municipais em Oeiras – PI
desde os anos de 1948 e a construção identitária dos dois grupos políticos que
dominam a cena eleitoral no município, bem como a espacialidade dos votos dos
candidatos a prefeito nos pleitos de 2000 a 2024. Com efeito, a pesquisa em tela
norteia-se pelo seguinte questionamento: historicamente, como tem sido a alternância
no poder dos dois grupos políticos em Oeiras? Argumenta-se que, oriundos de
famílias notáveis da cidade, há mais de meio século os chefes do executivo local
eleitos pertencem a um dos dois grupos políticos (Boca Preta ou Tupamaro), o que
tem inibido que uma terceira via chegue ao poder. Metodologicamente, para além de
revisão bibliográfica da temática de geografia política e do voto, fez-se uso de
entrevista semi estruturada a liderança política mais longeva da cidade. Ademais,
buscou-se dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Tribunal Regional Eleitoral
do Piauí (TRE/PI) e usou-se técnicas de geoprocessamento para espacialização dos
votos no espaço municipal oeirense. Como resultados, indicam-se: o grupo Tupamaro,
desde 1948, gestou a cidade de Oeiras nos intervalos de 1949 a 1966, depois de 1971
a 1982, em seguida de 1997 a 2008, 42 anos, portanto. Já os gestores Boca Preta
administraram Oeiras por 34 anos, de 1967 a 1970, depois de 1983 a 1996 e de 2009
a 2024. Na eleição de 2024 saiu-se vitorioso o candidato oposicionista, mas não
completamente pertencente ao grupo Tupamaro, fato que sinaliza algumas
modificações na história eleitoral de Oeiras. Ademais, na temporalidade analisada não
se registrou a presença feminina a frente da gestão municipal, apenas candidaturas
em três momentos, 1992, 2008 e 2010. A participação política de pessoas fora do
grupo nos pleitos teve papel pouco significativo no angariamento de votos, em que a
maior votação ocorreu ao candidato do PT, em 2012, com 888 votos.
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Keywords
Eleições Municipais., Gestão Municipal., Controle Político., Geografia Eleitoral.